domingo, 8 de agosto de 2010

Caráter

Estava dentro de um ônibus voltando para a minha casa, quando uma pessoa encostou-se próximo ao meu assento. Eu por costume iria me virar e olhar com cara feia, mas notei que aquela pessoa estava ali por algum motivo que não fosse permanecer naquele local. No mesmo momento, aquele rapaz de aparência nem tão jovem, mas nem tão velha retirou uma caneta de sua bolsa e me entregou. Eu olhei e li o que estava escrito dento do pacote que ela se encontrava. Notei que se tratava de algo que ele estava vendendo. Era um surdo vendedor ambulante.

Em questão de segundos tive um encargo de consciência, e me senti mal por ter cogitado a hipótese de olhar mal para aquela pessoa, só por se aproximar-se de mim. Mas em seguida me perguntei: "Será que eu estou com dó dele só porque é surdo?". A resposta era sim. Fiquei com vontade de ajudá-lo, comprar uma caneta, mas naquele momento eu possuía apenas algumas moedas no bolso. Logo outro encargo de consciência me recaiu. Mesmo ele sendo surdo, talvez eu não devesse ter pena dele, pois no fundo era "normal" como todos dizem ser, e estava trabalhando como qualquer um.

A partir disso fiquei me questionando sobre o meu caráter, sobre o sentimento de pena. E até agora não achei uma resposta para a pergunta: "É certo sentir pena de uma pessoa por ela apresentar certa desvantagem em relação a maioria?" Sinceramente, ao terminar de escrever essa pergunta, já obtive a resposta. SIM. E sabe porque? Justamente por essas pessoas terem "desvantagem", e mesmo assim você não ser capaz de fazer nada em relação a isso, simplesmente porque você é egoísta demais para isso. As vezes eu me vejo como um ser lastimável.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Eu hoje.

Estou esperando impacientemente pelo sentido, pela mudança. Cansei de tudo, especialmente do nada. De nunca ter nada interessante e cultural para se fazer. Cansei de ligar a tv e praticamente ser obrigada a presenciar coisas ridículas. Sou obrigada a isso porque em todo canal é a mesma coisa, a mesma apelação de sempre. Fico sem alternativas. Não sei qual é pior, ficar em casa olhando para a parede, ou sair de casa e ter que conviver com pessoas que eu não me identifico. Não sou chata, mas consideram-me excêntrica, só porque evito “amizades” desnecessárias. Sinceramente, cansei de ter que suportar pessoas pobres culturalmente, que ainda perdem tempo falando da vida alheia como se isso fosse fazer alguma diferença no mundo. Somos pequenos.

A rotina, o tédio, a falta de estímulo e interesse me consome. Interfere drasticamente no meu humor, no meu ser. Quero momentos de lazer, necessito disso. Mas ultimamente tem sido muito difícil obtê-lo.

Talvez a cultura de massas tenha em parte um pouco de culpa, só “formam” pessoas com valores volúveis. Queria encontrar pessoas interessantes, conversar, trocar idéias. Mas está difícil. Enquanto isso, opto por ficar em casa, ao som de uma boa e velha música, apreciando o meu tédio.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Uma visita

Diversas vezes já me questionei sobre minha sanidade. E confesso que sinto medo de não ser normal. Confesso também que não quero mesmo ser normal. Poxa, que graça tem gostar do que todo mundo gosta? Nenhuma. Pelo menos eu não vejo graça. Gosto de ser excêntrica, de gostar e preferir coisas estranhas e desconhecidas, tenho paixão por coisas fora do comum.
Talvez isso me faça pensar um pouco diferente das outras pessoas, e isso já é suficiente para eu me sentir deslocada perante todos. Nunca me encaixei em nenhum grupo, nunca me identifiquei com ninguém, e raramente já conseguiram me entender.
Pensei em consultar um psicólogo, ver se isso é normal, embora eu ache um pouco perda de tempo. Pode ser ignorância minha, mas presinto que ele vai me dizer que é fase, e que eu preciso me afastar um pouco do computador. Em partes não é uma mentira, mas também não é uma verdade abosluta.
As vezes nesse meu deslocamento em meio a sociedade, me sinto até velha sabe? Talvez por eu ter umas ideias estranhas, por querer "ficar na minha", preferir um lugar calma e inabitado a lugares cheios e barulhentos. É a tal da misantropia, velha conhecida minha.
Dessa forma concluí que vai ser muito difícil algum ser humano que suporte e ature essas minhas estranhezas. Sim falo de homens. Que lástima, mas também sou humana, e necessito de companhia e amor.
Não gosto muito de sair; não sou sociável, muito menos oportunista; raramente sou meiga; sincera ao extremo; misantrópica; estagnada; um poço de tédio. Veem isso? Sou um ser desinteressante. Chata, complicada que não faz questão, e nem se esforça para muita coisa.
Não sei se isso é benefício, por eu evitar o trabalho e a frustração de ter que passar por um namoro, um relacionamento ou coisa parecida, onde vou me decepcionar, sentir ciúmes sem motivos, talvez ser incompreendida, etc. Ou se é malefício, onde deixarei de vivenciar uma experiencia.
Por enquanto, fiquemos com a dúvida.

Tédio, Indiferença, Sentido.

Ultimamente está um saco para conseguir ocupar meu tempo com coisa útil. Nos momentos que posso ter lazer, não há nada para se fazer, pois infelizmente nessa minha idade é difícil achar algum lugar descente nessa cidade que proporcione diversão.
E nos tempos que permaneço ocupada com estudos e trabalho, fico me perguntando qual o sentindo disso tudo. Vou viver apenas para ser um saco ambulante acumulador de conhecimentos? Uma pessoa que trabalhará o resto da sua vida simplesmente para manter seus caprichos? É meio difícil de entrar na minha cabeça que eu preciso gastar tempo da minha vida para acumular dinheiro. Não entendo a lógica capitalista, não gosto. Ah! Devo lembrar que não estou fazendo apologia ao socialismo, mas isso ai é outra história. Voltemos para o foco.
Noto que não tenho muita motivação nessa vida não. Não que eu seja uma suicida. Apenas não descobri ainda a razão de minha existência e nem motivações que me levem a existir. Creio que nem tão cedo vou descobrir, talvez nem descubra, o que me leva a pensar que a busca por essa motivação é o que me faz viver "vegetando".
Sim "vegeto", pois me alimento apenas para sobreviver. Não sinto mais tanto prazer assim na comida. Não vejo graça nenhuma também na diversão comum a todos. Ou seja, baladas, shopping, namoradinhos, etc. Ando tão estagnada e indiferente a tudo e a todos, que seria melhor não existir do que um ser uma pessoa que não faz diferença, que existe apenas por existir. Assim gasto mais oxigênio do mundo não é?
"Tanto faz como tanto fez". Essa frase está resumindo exatamente o momento que percorro da minha vida. Não ligo para muita coisa não, não faço questão de nada. Espero que isso tudo passe, espero que seja apenas uma fase confusa da adolescência ou alguma excentricidade minha.
Porque as coisas não podem ser simples como na infância? Quando eu era criança não tinha nada contra as pessoas, nem sequer tinha noção de "sociedade". Talvez eu fosse ingênua e imatura. Anh como eu gostaria de voltar a ser como eu era! Acredito que essa ingenuidade e imaturidade era o que me proporcionava felicidade. Sabe, eu brincava com a terra, com as plantas, com meus brinquedos, e isso já me era mais que suficiente. Era uma felicidade pura, inédita.
Que sentimento de nostalgia me abalou agora. Talvez quando eu me tornar adulta, sinta nostalgia em relação aos tempos cinza da aldolescência. Quem sabe.

domingo, 2 de maio de 2010

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Há dias aquilo está de volta, e eu ainda finjo não entender, mas aquele ciclo vicioso do qual eu pensava ter escapado, está prestes a se iniciar novamente. Eu só lamento por mim, que ainda não se libertou e nem progrediu nesse tempo desde aquilo.
Parece que eu necessito me torturar, no fundo devo gostar mesmo de ficar remoendo coisas que eu já devia ter superado ou esquecido a muito tempo. Mas eu não sou como as outras pessoas, e não sei explicar o motivo disso, e é por isso que não consigo. Não consigo mais ser quem eu era.

domingo, 18 de abril de 2010

Atitude

A cada por do sol passo a me preocupar cada vez mais com as minhas aspirações que vão sendo postas de lado. E sinto que algo sempre me impedirá de não cumprir minhas metas, mas eu espero que um dia eu tenha coragem de deixar tudo para trás, jogar tudo para o alto, e correr em direção ao meu caminho.

Entretanto, meu caminho ainda é incerto, apenas sei que não é aquele percorrido pela sociedade em geral, não pode ser. E acredito que se algum dia eu me sentir impotente diante de meus sonhos nada mais fará sentido, pois a única coisa que me matem presa aqui é a motivação e a vontade de que tais sonhos se realizem.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Presente ponte com o Futuro

Ao refletir mais a fundo sobre as coisas que me interessam, concluí que pouco me interessa nessa vida. Meus objetivos e minhas aspirações estão dispersas, e se perdem em meio a tantas outras maiores e alheias a minha.
Diante disso, através dos olhos da sociedade enchergo-me como alguém sem um futuro promissor, entretanto, aos meus olhos vejo-me como alguém de fato feliz e realizada.